Poucos são aqueles que em dias ruins vêem seu lado bom, e admitem que não fora grande coisa. O numero de pessoas reduz ainda mais para os que sabem reconhecer a felicidade, um dia feliz, que reconhecem seus sentimentos, limites e fraquezas.
E quem são essas pessoas? As mais felizes? As sortudas?... É uma questão de perspectiva talvez, mas realmente felizes são aquelas que enfrentaram a tragédia, que tiveram suas vidas devastadas e arrasadas de alguma maneira catastrófica e no final de tudo aprenderam a reconhecer a luz do sol justamente por terem conhecido a escuridão, a frieza e a profundidade das nuvens quem os aprisionavam.
Como pode alguém se dizer feliz, satisfeito e completo sem ter conhecido o vazio, o incompleto, o triste, a queda? Como pode o infeliz saber sua realidade se nunca saiu do buraco?
O Bem existira sem o Mau? Amor é sinônimo de “escravidão passiva” e “tortura com prazer”? Um desastre tem que ser sempre algo ruim?
A nossa zona de conforto, em minha opinião, é nossa melhor e pior aliada, que horas se torna nosso porto seguro e outra nos acovarda a cada passo. “Por que conhecer pessoas novas se já tenho meus amigos”, “Devo me arriscar a invadir o território do novo se já conquistei e sou rei de meu espaço?”.
Mauricio S. Hale
Feliz Páscoa.
domingo, 24 de abril de 2011
quinta-feira, 24 de março de 2011
Inocência X Vida
Dias atrás, depois de receber algumas noticias, que ao ver de leigos não seria grande coisa, mas que para meu ser, aquilo era sinal de catástrofe, cair novamente, chorar, deitar-se ao chão junto aos próprios cacos e não querer levantar mais.
Podem me chamar de louco, perturbado ou coisas semelhantes. Mas nessas horas eu costumo vê-lo, meu eu quando menor, inocente mas incrivelmente sábio.
__De novo?! Se escondendo aqui de baixo?__Me perguntou a inocente criança, deitada ao meu lado embaixo da cama.
__Pare de sorrir!__Disse a ela irritado.
__Eu sei que você esta tentando....mas isso não é motivo para virar a cara para o mundo.
__Como se você soubesse... Ambos olhavam para o estrado da cama.
__Eu não passei ainda pelo que você passou, mas minha hora vai chegar e eu não correrei dela, não hesitarei nem fugirei. Sabe por quê?
Não respondi, apenas o fitei com imensa profundidade, analisando a pequena roupa que usava, minha favorita na fase infantil.
__Pra me tornar essa fortaleza, que desmorona vez ou outra, mas que nunca deixa de se reerguer inúmeras e incansáveis vezes.
__Você sabe por que venho aqui ainda? __ Indaguei a inocente criança.
__Sei. Este é o único lugar onde eu me sinto a salvo do monstro... Interrompeu-se, eu sabia o quanto aquilo me apavorava quando pequeno__ me escondo dentro de sua toca__ Tocou o madeiramento da cama e me devolveu o olhar com a mesma intensidade.
__Me desculpe! __ a primeira lagrima escapara__ me desculpe por não ter cuidado de você melhor, ter-lhe conservado dentro de mim como deveria.
__Mas no final ficou tudo bem, olhe pra você!
__Eu sei mais queria que soubesse...haverá tempos que eu gostaria que fosse feliz, que sorrisse, olhesse para frente nos momentos terríveis e não se prenda a eles.
__Você não foi feliz__ Entristeceu sua voz.
__Sim, fui, claro que fui! Mas houve partes na vida em que a única coisa que eu precisava era ter me amado mais.
__E o que faço nas horas difíceis?
__Bem, eu já estive nesse lugar, algumas vezes até mesmo me familiarizei. Nessas horas você se prende a todos que te amam.
__E?...
__Reza para que tudo volte ao normal, que as ondas se acalmem e que a água saia de sua boca lhe deixando respirar novamente.
__Rezar? __ Me perguntou com os olinhos lacrimosos.
__Deus será tudo que terá em algumas noites frias e solitárias, até que descubra o amor.
__É fácil amar.__ Disse-me ele sorrindo
__Sim, mas com o tempo meu amigo, verá que o amor não é uma bandeira para ser exposta, com a experiência verá que o amor é algo frio que lhe quebra em pedaços pequeninos__ as lagrimas já não caiam uma após a outra, em meu rosto sentia um pequeno rio que corria sem parar.
__Então qual o objetivo de amar, se vai acabar quebrado?__ A expressão confusa era explicita em sua face.
__Se quebrar às vezes, não é ruim, te faz descobrir partes que não sabia que existia, te fazem seguir em frente e erguer a cabeça.
__Você já amou não foi?__ Sorriu mostrando meus antigos dentes tortos que não foram ainda concertados por um aparelho.
__Vai ser algo inesquecível, vai te fazer correr aqui para baixo muitas vezes, mas viver momentos inesquecíveis lá pra cima.
__Humm.__Ele provavelmente não entendera o que....
__Me orgulho de você!__ olhou-me
__Por que eu te esqueci? Essa inocência.
__Acredito que a inocência não pode conviver com o conhecimento não?
__É, você vai passar por coisas que serão difíceis de digerir na hora, será complicado, às vezes lutar sozinho....será como dar murro em ponta de faca...mas quando tudo passar...você sentir a ferida se fechando, agradecerá por tudo sem exceções, que te transformou em algo melhor.
__Se acha isso, por que está aqui em baixo?
__Acho que só precisava me lembrar...
Passaram-se alguns segundos sem que nenhum de nós falasse, olhei para o lado e ele já não estava mais ali, apenas eu, o pó do chão e o estrado da cama me cobrindo.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Apenas mais uma historia.
Lá vai uma historia... Que simplesmente deveriam acreditar!
Semanas atrás me refugiei, sozinho, na casa de praia que pertence a um amigo. Era bem situada, em frente ao mar, dos grandes vidros da sala principal era possível observar as grandes ondas se quebrando.
Na segunda madrugada que passaria naquele lugar maravilhoso, não conseguia dormir, rolava continuamente na cama, algo lá fora me incomodava. Já cansado de minha inquietação, levantei-me, fui até a sala grande, acendi todas as luzes e olhei em direção as grandes ondas, que estavam furiosas.
Muito distante da margem do mar, algo me chamara atenção, algo se afundando na água escura do oceano gigantesco. Pensei estar sonhando mais sai correndo porta a fora rapidamente, corri em direção a algo que suplicava minha ajuda, eu reconhecia sua voz.
Imóvel na margem observei aquela silhueta ser tragada para o fundo, não conseguia ir além, não permiti que a água me tocasse, fora uma reação um tanto interessante.
Comecei a imaginar o que teria acontecido com aquilo que fora engolido pelo mar furioso, o que eu poderia fazer para ajudar, correr para a água e abaixar minhas mãos e tentar agarrar algo, seria frustrante, não se pode agarrar a água.
Indignado com a situação, olhe para a areia que me cercava e vi o rosto de algo familiar novamente, me arrepiei e continuei a não entender nada, minha reação foi apenas de me sentar e esperar.
Esperar pela maré, que subiria durante a noite e quem sabe, me traria as respostas para as perguntas que me atormentavam naquele momento.
A água se aproximava sorrateiramente, primeiramente encostando-se a meus pés, e a cada onde avançava alguns centímetros, era de uma temperatura glacial, chegava a doer, mas permaneci como uma estatua, até que as ondas tivessem força suficiente para me mover dali, o que não demorou a acontecer.
Minutos depois, eu estava mergulhando nas navalhas da água congelada, tentando entender por que eu deixei algo se afogar sem ajudar, procurava desesperadamente aquele algo que deveria estar perdido naquela imensidão sem fim.
E finalmente encontrei, a imagem de um garoto surgiu metros a minha frente, nadei o mais rápido possível para perto, cheguei até suas costas quando tentei tocá-lo para puxá-lo para fora, meu corpo fora rompido por sentimentos que não havia sentido a tempos, um fluxo de coragem, esperança e perseverança percorreram minhas veias.
Um segundo daquela energia me fez pensar estar no paraíso, me fez querer permanecer ali até o ar que enchia meus pulmões e sustentava todo meu ser se esvaísse. Instantes depois do meu primeiro contato ele começou a se afastar, a me deixar sozinho na água escura que voltava a ser fria, foi então que a criatura se voltou para mim e pude ver seus olhos, pude ver meus olhos em um ser mais novo.
Voltei subitamente a superfície, tentando compreender o que fora aquilo, um sonho, um delírio, olhei em minha volta, a costa da cidade estava um pouco distante, nadei em direção a ela, meio ao caminho eu via as mãos daquele garoto estendidas a mim.
Procurava agarrar-las com força, mas a única coisa que alcançava e trazia para cima comigo, era água, que se escorria pelas frestas de meus dedos.
Esgotado, deitado à areia da praia que em comparação a água, estava fervendo, compreendi que aquele jovem era o que eu tinha vindo buscar neste lugar, longe de tudo e de todos que conheço, vim procurar um novo caminho, uma nova força ou apenas resgatar a que possuía num passado feroz.
Voltei para casa com a cabeça baixa, entendendo que aquela força ainda estava dentro de minha essência, só que agora estava afogado em oceano desconhecido, esperando ser recordado, e que me dever não era encontrar-lo meio a tudo, já que tudo que eu conseguiria encontrar e me segurar seria a água, eu deveria faze-lo vir a mim.
Pensando nisso, antes de dormir naquela noite, fui até a janela e acendi uma vela, para que aquele garoto assustado pudesse ver a milhas de distancia, que em mim ele sempre teria um lugar para chamar de lar.
Semanas atrás me refugiei, sozinho, na casa de praia que pertence a um amigo. Era bem situada, em frente ao mar, dos grandes vidros da sala principal era possível observar as grandes ondas se quebrando.
Na segunda madrugada que passaria naquele lugar maravilhoso, não conseguia dormir, rolava continuamente na cama, algo lá fora me incomodava. Já cansado de minha inquietação, levantei-me, fui até a sala grande, acendi todas as luzes e olhei em direção as grandes ondas, que estavam furiosas.
Muito distante da margem do mar, algo me chamara atenção, algo se afundando na água escura do oceano gigantesco. Pensei estar sonhando mais sai correndo porta a fora rapidamente, corri em direção a algo que suplicava minha ajuda, eu reconhecia sua voz.
Imóvel na margem observei aquela silhueta ser tragada para o fundo, não conseguia ir além, não permiti que a água me tocasse, fora uma reação um tanto interessante.
Comecei a imaginar o que teria acontecido com aquilo que fora engolido pelo mar furioso, o que eu poderia fazer para ajudar, correr para a água e abaixar minhas mãos e tentar agarrar algo, seria frustrante, não se pode agarrar a água.
Indignado com a situação, olhe para a areia que me cercava e vi o rosto de algo familiar novamente, me arrepiei e continuei a não entender nada, minha reação foi apenas de me sentar e esperar.
Esperar pela maré, que subiria durante a noite e quem sabe, me traria as respostas para as perguntas que me atormentavam naquele momento.
A água se aproximava sorrateiramente, primeiramente encostando-se a meus pés, e a cada onde avançava alguns centímetros, era de uma temperatura glacial, chegava a doer, mas permaneci como uma estatua, até que as ondas tivessem força suficiente para me mover dali, o que não demorou a acontecer.
Minutos depois, eu estava mergulhando nas navalhas da água congelada, tentando entender por que eu deixei algo se afogar sem ajudar, procurava desesperadamente aquele algo que deveria estar perdido naquela imensidão sem fim.
E finalmente encontrei, a imagem de um garoto surgiu metros a minha frente, nadei o mais rápido possível para perto, cheguei até suas costas quando tentei tocá-lo para puxá-lo para fora, meu corpo fora rompido por sentimentos que não havia sentido a tempos, um fluxo de coragem, esperança e perseverança percorreram minhas veias.
Um segundo daquela energia me fez pensar estar no paraíso, me fez querer permanecer ali até o ar que enchia meus pulmões e sustentava todo meu ser se esvaísse. Instantes depois do meu primeiro contato ele começou a se afastar, a me deixar sozinho na água escura que voltava a ser fria, foi então que a criatura se voltou para mim e pude ver seus olhos, pude ver meus olhos em um ser mais novo.
Voltei subitamente a superfície, tentando compreender o que fora aquilo, um sonho, um delírio, olhei em minha volta, a costa da cidade estava um pouco distante, nadei em direção a ela, meio ao caminho eu via as mãos daquele garoto estendidas a mim.
Procurava agarrar-las com força, mas a única coisa que alcançava e trazia para cima comigo, era água, que se escorria pelas frestas de meus dedos.
Esgotado, deitado à areia da praia que em comparação a água, estava fervendo, compreendi que aquele jovem era o que eu tinha vindo buscar neste lugar, longe de tudo e de todos que conheço, vim procurar um novo caminho, uma nova força ou apenas resgatar a que possuía num passado feroz.
Voltei para casa com a cabeça baixa, entendendo que aquela força ainda estava dentro de minha essência, só que agora estava afogado em oceano desconhecido, esperando ser recordado, e que me dever não era encontrar-lo meio a tudo, já que tudo que eu conseguiria encontrar e me segurar seria a água, eu deveria faze-lo vir a mim.
Pensando nisso, antes de dormir naquela noite, fui até a janela e acendi uma vela, para que aquele garoto assustado pudesse ver a milhas de distancia, que em mim ele sempre teria um lugar para chamar de lar.
Assinar:
Comentários (Atom)