Lá vai uma historia... Que simplesmente deveriam acreditar!
Semanas atrás me refugiei, sozinho, na casa de praia que pertence a um amigo. Era bem situada, em frente ao mar, dos grandes vidros da sala principal era possível observar as grandes ondas se quebrando.
Na segunda madrugada que passaria naquele lugar maravilhoso, não conseguia dormir, rolava continuamente na cama, algo lá fora me incomodava. Já cansado de minha inquietação, levantei-me, fui até a sala grande, acendi todas as luzes e olhei em direção as grandes ondas, que estavam furiosas.
Muito distante da margem do mar, algo me chamara atenção, algo se afundando na água escura do oceano gigantesco. Pensei estar sonhando mais sai correndo porta a fora rapidamente, corri em direção a algo que suplicava minha ajuda, eu reconhecia sua voz.
Imóvel na margem observei aquela silhueta ser tragada para o fundo, não conseguia ir além, não permiti que a água me tocasse, fora uma reação um tanto interessante.
Comecei a imaginar o que teria acontecido com aquilo que fora engolido pelo mar furioso, o que eu poderia fazer para ajudar, correr para a água e abaixar minhas mãos e tentar agarrar algo, seria frustrante, não se pode agarrar a água.
Indignado com a situação, olhe para a areia que me cercava e vi o rosto de algo familiar novamente, me arrepiei e continuei a não entender nada, minha reação foi apenas de me sentar e esperar.
Esperar pela maré, que subiria durante a noite e quem sabe, me traria as respostas para as perguntas que me atormentavam naquele momento.
A água se aproximava sorrateiramente, primeiramente encostando-se a meus pés, e a cada onde avançava alguns centímetros, era de uma temperatura glacial, chegava a doer, mas permaneci como uma estatua, até que as ondas tivessem força suficiente para me mover dali, o que não demorou a acontecer.
Minutos depois, eu estava mergulhando nas navalhas da água congelada, tentando entender por que eu deixei algo se afogar sem ajudar, procurava desesperadamente aquele algo que deveria estar perdido naquela imensidão sem fim.
E finalmente encontrei, a imagem de um garoto surgiu metros a minha frente, nadei o mais rápido possível para perto, cheguei até suas costas quando tentei tocá-lo para puxá-lo para fora, meu corpo fora rompido por sentimentos que não havia sentido a tempos, um fluxo de coragem, esperança e perseverança percorreram minhas veias.
Um segundo daquela energia me fez pensar estar no paraíso, me fez querer permanecer ali até o ar que enchia meus pulmões e sustentava todo meu ser se esvaísse. Instantes depois do meu primeiro contato ele começou a se afastar, a me deixar sozinho na água escura que voltava a ser fria, foi então que a criatura se voltou para mim e pude ver seus olhos, pude ver meus olhos em um ser mais novo.
Voltei subitamente a superfície, tentando compreender o que fora aquilo, um sonho, um delírio, olhei em minha volta, a costa da cidade estava um pouco distante, nadei em direção a ela, meio ao caminho eu via as mãos daquele garoto estendidas a mim.
Procurava agarrar-las com força, mas a única coisa que alcançava e trazia para cima comigo, era água, que se escorria pelas frestas de meus dedos.
Esgotado, deitado à areia da praia que em comparação a água, estava fervendo, compreendi que aquele jovem era o que eu tinha vindo buscar neste lugar, longe de tudo e de todos que conheço, vim procurar um novo caminho, uma nova força ou apenas resgatar a que possuía num passado feroz.
Voltei para casa com a cabeça baixa, entendendo que aquela força ainda estava dentro de minha essência, só que agora estava afogado em oceano desconhecido, esperando ser recordado, e que me dever não era encontrar-lo meio a tudo, já que tudo que eu conseguiria encontrar e me segurar seria a água, eu deveria faze-lo vir a mim.
Pensando nisso, antes de dormir naquela noite, fui até a janela e acendi uma vela, para que aquele garoto assustado pudesse ver a milhas de distancia, que em mim ele sempre teria um lugar para chamar de lar.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
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*-* ameii
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